Descobri que não consigo meditar. Aliás, não consigo sequer relaxar para, então, dar início a qualquer ato de meditação.
Desde cedo percebi que pertencia ao grupo das 'nervosinhas-irritadinhas-que-querem-tudo-do-jeito-delas'. Com o passar dos anos a coisa só piorou. Hoje se uma vendedora demora mais de 2 minutos para me dar atenção em uma loja, dou meia-volta e me retiro de cara feia.
No trânsito, então, nem se fala. Diversas vezes me vi tal qual o personagem do Michael Douglas em 'Um Dia de Fúria'; pronta para arranjar um míssil e atirar no primeiro ônibus que me fechar!
Na tentativa de buscar uma melhor qualidade de vida; de conseguir, literalmente, criar um botão 'foda-se' que eu pudesse ligar a qualquer momento, busquei a Yoga (por favor não errem a pronúncia; o certo é yÔga). (Mais um parênteses: eu tenho uma conhecida, dessas que amam se mostrar entendidas em tudo, que resolveu fazer yoga quando engravidou. Achei legal e resolvi perguntar, animada, como eram as aulas de yÓga. Para quê? - Não é yÓga, é YÔga! - Ah, tá. Então vá se fOder, e não fUder!!!! - pensei. Desde então evitei falar com ela.)
Mas voltando ao assunto em questão, fui fazer a bendita aula. A professora estava vestida à la indiana, sabe? Calças largas, camiseta com o Ganesh (aquele deus que parece um elefante), descalça e cheia de pulseiras. Isso já me deixou cabreira, pois creio que a boa professora não precisa se 'fantasiar' de entendida, as aulas mostrarão. Mas, tudo bem. Começamos 'reverenciando o sol'. Por favor não me perguntem mais como é a posição, pois apaguei da minha mente. Logo em seguida ela pediu para fazermos 'aummmmmmmmm' de olhos fechados. Pronto. Já me deu vontade de ir embora. O que eu estava fazendo ali reverenciando o sol e fazendo 'aummmm' no meio da tarde com tanta coisa ainda para fazer durante o dia??? E ainda pagando para isso! - Calma - pensei - é para um bem maior.
Depois de várias posições quase eróticas (ainda bem que não havia homens na aula - ou pena, porque se fossem interessantes talvez eu me animasse em reverenciar o sol de uma maneira mais empinadinha), era chegada a hora da meditação. Luz baixa, som indiano chatão ao fundo e a voz da professora baixinha: 'esvaziem a mente...'
Juro por Ganesh que me deu vontade de rir. Não resisti e abri um dos olhos disfarçadamente para olhar à minha volta; aquele mar de mulheres deitadas em um colchonete mínimo, compenetradas... Será que eu era a única anormal? Será que só eu estava contando os minutos para sair dali e, finalmente, fazer algo de útil como comprar presunto para o lanche e buscar a colcha na lavanderia?
É óbvio que não mais retornei.
O fato é que desisti de tentar meditar. Desisti de tentar relaxar. Não sei que método seria minha salvação, pois nem quero entrar no tema acupuntura... (Já tentei. Sem comentários).
Talvez só mesmo um míssil. Alguém sabe onde eu consigo um?